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Teses e Dissertações


2019


Aluno:Fernando Ribas Feijó

Título: Ass√©dio moral no trabalho e seu papel nos transtornos mentais comuns e dor lombar: um estudo com trabalhadores do judici√°rio federal

E-mail:

Área de concentração:

Orientador:Anaclaudia Fassa

Banca examinadora:Margarida Barreto, Rodrigo Meucci e Luiz Augusto Facchini

Data defesa:16/08/2019

Palavras-chave:

FEIJ√ď, Fernando Ribas. Ass√©dio Moral no Trabalho e seu Papel nos Transtornos
Mentais Comuns e Dor Lombar: um Estudo com Trabalhadores do Judici√°rio
Federal. 2019. 244f. Tese (Doutorado em Epidemiologia) - Programa de Pós-
Graduação em Epidemiologia, Universidade Federal de Pelotas, Pelotas, 2019.


Introdução: Os novos modelos de gestão do trabalho têm impactado os riscos
ocupacionais e a sa√ļde de trabalhadores. No servi√ßo p√ļblico brasileiro, esse fen√īmeno
se consolida com a Reforma do Estado, iniciada na década de 90. Nesse contexto, os
riscos psicossociais do trabalho como o estresse e o assédio moral crescem, afetando
negativamente a sa√ļde mental e f√≠sica, e podendo levar ao aumento da ocorr√™ncia de
transtornos mentais comuns e problemas osteomusculares, como a dor lombar. A
maioria dos estudos que avaliam o ass√©dio moral como determinante da sa√ļde prov√©m
de países de alta renda, sendo escassos em países de baixa e média renda. Além disso,
os mecanismos, confundidores e mediadores da associação entre assédio moral,
transtornos mentais e queixas osteomusculares ainda carecem de melhor elucidação.
Objetivos: O artigo de revis√£o sistem√°tica teve como objetivo analisar estudos
epidemiológicos que tenham abordado fatores de risco para o assédio moral no trabalho,
buscando compreender seus mecanismos e determinação; os outros dois artigos
avaliaram a prevalência de transtornos mentais comuns e dor lombar em servidores
p√ļblicos do Judici√°rio Federal do munic√≠pio de Porto Alegre, analisando a associa√ß√£o
entre ass√©dio moral e os dois desfechos de sa√ļde. M√©todos: O primeiro artigo desta tese
é uma revisão sistemática sobre fatores de risco para o assédio moral no trabalho, em
uma perspectiva epidemiológica. Utilizaram-se os guidelines PRISMA (Preferred
Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses) e MOOSE (Meta-analyses
of Observational Studies in Epidemiology) para descrição dos artigos selecionados, que
tiveram sua qualidade avaliada pelo Downs and Black checklist. A segunda parte da tese
é composta por dois artigos oriundos de um estudo transversal, com coleta de dados por
inquérito virtual entre junho e outubro de 2018. O questionário on-line abordou fatores
demogr√°ficos, socioecon√īmicos, comportamentais e ocupacionais, enfocando a
organização do trabalho, os aspectos psicossociais do trabalho e o assédio moral, além
dos desfechos de sa√ļde. Utilizaram-se o Question√°rio de Atos Negativos revisado
(NAQ-r), para avaliação do assédio moral no trabalho, o Self-Report Questionnaire
(SRQ-20) para mensuração dos transtornos mentais comuns e o Questionário Nórdico
de Sintomas Osteomusculares para avaliação da dor lombar. A associação entre o
assédio moral no trabalho e os desfechos de interesse foi avaliada através de regressão
logística, com controle para fatores de confusão, seguindo um modelo conceitual.
Estimaram-se as raz√Ķes de odds e seus respectivos intervalos de confian√ßa, examinando
a signific√Ęncia atrav√©s do teste de heterogeneidade ou, no caso de vari√°veis cont√≠nuas ou
com relação linear, pelo teste de tendência linear. Resultados: A Revisão Sistemática
abrangeu 51 artigos que avaliaram fatores de risco para o assédio moral, identificando
forte associação de variáveis ocupacionais e fatores psicossociais do trabalho com o
assédio moral. O sexo feminino esteve associado a um maior risco de assédio moral na
maioria dos estudos, assim como diversos fatores ocupacionais. Estilos de liderança,
estresse laboral e outros fatores psicossociais que remetem à organização do trabalho
estiveram fortemente associados ao assédio moral. Os outros dois artigos analisaram
907 servidores p√ļblicos do judici√°rio federal do munic√≠pio de Porto Alegre,
identificando prevalência de Transtorno Mental Comum de 32,8%, de Dor Lombar nos
√ļltimos 7 dias de 50,1% e de Dor Lombar Cr√īnica de 19,3%. A preval√™ncia de ass√©dio
moral foi de 18,3%, o qual esteve fortemente associado à gestão por metas, ao estresse
ocupacional e à baixa segurança psicossocial na instituição. Fatores psicossociais do
trabalho estiveram positivamente associados a transtornos mentais comuns e dor
lombar. Os modelos multivariáveis demonstraram forte associação do assédio moral no
trabalho com TMC e dor lombar, mesmo após controle para diversos fatores de
confus√£o e covari√°veis potencialmente mediadoras. Discuss√£o: Por meio da revis√£o
sistemática, evidenciou-se que os estudos epidemiológicos sobre fatores de risco para
assédio moral dão suporte ao modelo terórico de Leymann, enfatizando o papel da
organização e da gestão trabalho na determinação do assédio, em detrimento de outros
fatores individuais como a personalidade. Os resultados do estudo com os servidores
p√ļblicos do Judici√°rio Federal corroboraram achados de estudos de pa√≠ses de alta renda,
no que tange √† associa√ß√£o de ass√©dio moral com os desfechos de sa√ļde mental e dor
osteomuscular, ressaltando o assédio moral como importante fator de risco para tais
desfechos de sa√ļde. As diferentes formas utilizadas para categoriza√ß√£o do ass√©dio
moral, assim como os vários modelos estatísticos utilizados, com ajuste para diversos
fatores de confus√£o, incluindo vari√°veis sociodemogr√°ficas, comportamentais e
ocupacionais, orientam futuras an√°lises dessas associa√ß√Ķes, podendo facilitar o
entendimento dos mecanismos que levam os trabalhadores ao adoecimento. A
preven√ß√£o do ass√©dio moral e dos problemas de sa√ļde como os transtornos mentais e a
dor lombar demanda mudanças em fatores contextuais da organização do trabalho e da
cultura das organiza√ß√Ķes.


Palavras-chave: assédio moral; transtornos mentais comuns; dor lombar; riscos
psicossociais no trabalho; sa√ļde do trabalhador; epidemiologia ocupacional.


Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia - Centro de Pesquisas Epidemiológicas