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Sala de Imprensa

26/10/2023

UFPel integra cons├│rcio internacional de pesquisa em gen├ętica populacional


 

 

Participando de uma colaboração internacional de pesquisa, a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) contribui para uma iniciativa pioneira que vai investigar os impactos da diversidade genética e ambiental na variação do risco de doenças entre populações do mundo todo. O projeto, denominado Diverse Epigenetic Epidemiology Partnership (DEEP), conta com a participação de vinte grupos de pesquisa internacionais, incluindo o Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da UFPel. A iniciativa é coordenada pela Universidade de Bristol (Inglaterra) e financiada pela instituição britânica Medical Research Council (MRC).

Em um período de cinco anos, o estudo tem como objetivo produzir bases de dados genômicos das populações globalmente sub-representadas, basicamente aquelas não europeias. Inicialmente, o projeto explorará questões centrais de saúde na primeira infância e saúde cardiovascular. Essas são áreas de grande interesse para as populações envolvidas, incorporando conjuntos de dados de populações africanas, asiáticas e das Américas do Norte e Sul.

O professor Fernando Hartwig, membro do estudo pela UFPel, destaca que um dos pilares da pesquisa é o foco na metilação do DNA. Este processo epigenético, através do qual grupos químicos se ligam ao DNA para ativar ou inativar genes, exibe níveis que variam de uma população para outra, sendo influenciados tanto por fatores genéticos quanto ambientais, como dieta, comportamentos e estilos de vida.

"Mudanças na metilação do DNA estão associadas a diversas doenças, como câncer, patologias cardiovasculares e neurológicas. Portanto, é crucial estudar pessoas com diferentes contextos genéticos e ambientais para ampliar nossa compreensão sobre quais fatores estão causando diferenças na regulação das funcionalidades dos genes e, por consequência, diferenças no risco de doença", destaca Hartwig.

Ele ressalta que grande parte das pesquisas sobre a relação entre epigenética e saúde populacional baseou-se em dados de pessoas de origem europeia até o momento. “Mensurar dados epigenéticos é bastante caro, o que contribui para a pouca representatividade de populações em países de baixa ou média renda neste tipo de pesquisa”, comenta o pesquisador. O projeto DEEP busca preencher essa lacuna ao investigar a variabilidade genética e ambiental, juntamente com seu impacto na saúde e doença.

Um aspecto crucial deste projeto é a capacitação de profissionais para realizar análises de epigenética, bem como para gerenciamento eficiente dos dados requeridos. A UFPel disponibilizará dados do estudo de coorte de nascimentos de 1982 em Pelotas (RS), seguindo todos os protocolos éticos. Pesquisadores locais receberão treinamento para tratar e analisar estes dados, que também estarão disponíveis para pesquisas de interesse local.

Hannah Elliott, pesquisadora de epidemiologia do MRC na Universidade de Bristol e uma das líderes do projeto, afirma: "Trabalhar com grupos de pesquisa que compreendem a saúde das suas respectivas coortes e conseguem compartilhar de forma efetiva os resultados com as comunidades locais que doaram o seu DNA é essencial.”

Alinhando-se ao compromisso de estudar indivíduos de diversos contextos genéticos e ambientais, o projeto DEEP oferece uma contribuição valiosa para o avanço da ciência básica. Além de expandir nossa compreensão sobre perfis de metilação do DNA e a saúde humana, permitirá a identificação de mecanismos causadores de doenças comuns globalmente e daqueles que são únicos para determinados grupos ou regiões. Em ultima análise, essas descobertas podem contribuir para tornar medidas de saúde pública e intervenções preventivas e terapêuticas Tmais efetivas, bem como colaborar para a redução das iniquidades de saúde em âmbito mundial.




Fonte: Assessoria de Imprensa





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