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Teses e Dissertações


2018


Aluno:Ursula Fabiola Reyes Matos

Título: Desigualdades socioeconômicas no estado nutricional de mulheres de 20 - 49 anos em países de renda baixa e média

E-mail:reyes.ursula@gmail.com

Área de concentração:

Orientador:Cesar Victora

Banca examinadora:Carlos Augusto Monteiro e Fernando Wehrmeister

Data defesa:20/11/2018

Palavras-chave:

Mudanças dramáticas na dieta e estilo de vida elevaram rapidamente os níveis de sobrepeso e obesidade em muitos países, atingindo níveis epidêmicos. (Popkin and Gordon-Larsen 2004). Por outro lado, a subnutrição ainda é um problema em alguns países como Haiti e Guayana, que apresentam prevalências acima de 10% entre mulheres de 15 a 49 anos (FAO and OPS. 2017). Economicamente, a desnutrição – incluindo subnutrição, sobrepeso e obesidade – acarreta um prejuízo de 11% no produto bruto interno na África e na Ásia. Estima-se que, para cada dólar investido na prevenção da desnutrição através de investimentos em agricultura, educação, sistemas alimentares e de saúde, proteção social, água, saneamento e higiene, 16 dólares seriam economizados em tratamentos de saúde. Nos Estados Unidos, por exemplo, a família que tem membro obeso, apresenta um aumento médio de 8% da renda familiar em gastos de saúde. Na China, um diagnóstico de diabetes acarreta uma perda de 16,3 % na renda da família. Ao investir em programas de prevenção, estes gastos poderiam ser evitados (IFPRI 2016). A prevalência de desnutrição em um determinado país pode não refletir a realidade nos distintos estratos no país, pois este problema não está distribuído de maneira uniforme na população. A desagregação das estimativas de desnutrição segundo critérios socioeconômicos pode informar o quão desigual é sua ocorrência. O ODS 17.18 enfatiza a importância de produzir estatísticas desagregadas conforme renda, local de residência, grupo étnico e outros estratificadores. Identificar populações vulneráveis e o tipo de desnutrição a que cada uma está exposta é fundamental para o planejamento e implementação de políticas de promoção a saúde, adequadas a cada subgrupo populacional. Em inquéritos populacionais, a posição socioeconômica tem sido tradicionalmente medida através de quintis de riqueza, que refletem a posição relativa dos indivíduos dentro da sociedade. Apesar de mais adequada para fazer essas comparações, a utilização da renda absoluta como critério de avaliação socioeconômico, é ainda pouco explorada e não incorpora nenhuma medida de desigualdade socioeconômica (Hruschka and Brewis 2013, Fink et al. 2017). No presente projeto, pretende-se utilizar a renda absoluta para caracterizar a posição socioeconômica de mulheres, e investigar sua associação com a prevalência de desnutrição em países de renda baixa e média. Estudos existentes sobre riqueza absoluta e estado nutricional em mulheres têm analisado menos de 40 países, limitados a inquéritos conduzidos até 2012. Diferentemente de estudos anteriores, em nossas análises o cálculo de renda absoluta se baseará na estimativa de paridade do poder de compra (PPP) do ano 2011 e no uso da combinação de PNB per capita e do coeficiente de Gini. Ainda, serão incluídos dados recentes (até 2016), totalizando mais de 60 países.

Palavras-chave: Epidemiology;estado nutricional;Equidade em saúde


Abstract: Objective: To analyze socioeconomic inequalities in the prevalence of underweight and overweight or obesity in women from low and middle-income countries (LMICs). Methods: Using the last available Demographic Health Survey between 2010 and 2016 from 49 LMICs, we estimated the prevalence of underweight (BMI<18.5 kg/m2) and overweight or obesity combined (BMI≥25kg/m2) for women aged 20 to 49 years. We used linear regression to explore the associations between the two outcomes and gross national income (GNI). We assess within-country socioeconomic inequalities using wealth quintiles and deciles. The slope index of inequality (SII) and the inequality pattern index (IPI) were calculated for each outcome. Negative values of the latter express bottom inequality (when inequality is driven by the poorest quintile) while positive values express top inequality (driven by the richest quintile). Results: In total, 931,145 women were studied. The median prevalence of underweight, overweight or obesity combined, and obesity were 7.3% (range 0.2% - 20.5%), 31.5% (8.8% - 85.3%) and 10.2% (1.9% - 48.8%) respectively. Pearson correlation coefficients with log GNI were -0.33 (p=0.006) for underweight, 0.72 (p<0.001) for overweight or obesity, and 0.66 (p<0.001) for obesity. For underweight, the SII was significantly negative in 38 of the 49 countries indicating a higher burden among poor women. There was no evidence of top or bottom inequality. Overweight or obesity increased significantly with wealth in 44 of the 49 countries. Top inequality was observed in low-prevalence countries, and bottom inequality in high-prevalence countries. Conclusion: Underweight remains a problem among the poorest women in poor countries, but overweight and obesity are the prevailing problem as national income increases. In low-prevalence countries, overweight or obesity levels are driven by the higher prevalence among the richest women; as national prevalence increases, only the poorest women are relatively preserved from the epidemic.

Keywords: Epidemiology;Nutritional status;Health equity


Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia - Centro de Pesquisas Epidemiológicas